Travelling Toes

Bits of the life of toes that can’t seem to stay too long at the same place…

Archive for the ‘Poético/Filosófico (divagando)’ Category

RJ x SP: “Little Differences”

Posted by simonecarrocino on March 7, 2007

Cá estou eu de volta a Sampa. Como toda carioca que se preze, tenho problemas com esta cidade. Não vou entrar neste mérito aqui neste “post”. Já prometi um “post” sobre São Paulo, mas a verdade é que me dá uma pregiça enorme de falar sobre esta cidade.

Este post aqui será mais leve, no estilo “Pulp Fiction”, sobre pequenas diferenças. A maioria deve lembrar do famoso diálogo do filme:

Vincent: I know baby. You’d dig it the most. But you know what the funniest thing about Europe is?
Jules: What?
Vincent: It’s the little differences. I mean they got the same shit over there that they got here, but it’s just – it’s just there it’s a little different.

É isso. Same shit here and there, mas existem pequenas diferenças… E hoje vivenciei uma delas.

Eu vim para cá para ficar a semana inteira e só trouxe uma sandália. Isto não é problema no trabalho, mas estou fazendo minha aulinha de yoga à noite, e a sandália que eu trouxe não é nem confortável e nem combina com roupa de yoga. Tem salto, e a academia fica a uns bons 10 minutos de caminhada do hotel.

Então eu resolvi comprar umas sandálias havaianas. São boas, baratas, confortáveis, e à venda em qualquer esquina. Andei, andei, perto do hotel e perto do trabalho, e não encontrei lugar nenhum que vendesse havaianas! Aqui na rua do trabalho (Rua da Mooca) deve ter umas 5 sapatarias, e nenhuma delas vende a sandália que é campeã de vendas mundial.

Não são leg�timas, mas dá pra ilustrar a idéia...

É… paulista não usa chinelo. Quando usa, são aqueles arrumadinhos, de couro. Em comparação, no Rio, até banca de jornal agora está vendendo as havaianas. Rio é cidade de praia, informal, pede um chinelinho… É bem verdade que grande parte da demanda vem dos turistas gringos que invadem a cidade maravilhosa, e de quebra levam vários pares. É o maior sucesso nos EUA, Europa, e na Austrália é tão popular que tem gente que acha que as sandalinhas são efetivamente australianas. Sair à noite para boites calçando havaianas é a maior moda por lá, e sem contar a mulherada que vai trabalhar de terninho e chinelo!

O mais engraçado foi ver a cara dos paulistas quando eu perguntei onde eu poderia comprar as havaianas. Parece até que eu estava pedindo carne de segunda, ou um vinho de terceira…

Estas pequenas diferenças são bem interessantes, e a cada dia descubro uma nova. Duas cidades tão próximas, e ainda assim tão antagônicas…

Posted in Poético/Filosófico (divagando) | 6 Comments »

Slow…

Posted by simonecarrocino on January 11, 2007

Dê férias para os seus pésSeguindo o comentário do meu amigo Sérgio Salvador no post MSV abaixo, comecei a fazer uma pesquisa sobre o Slow Movement. A idéia é bem parecida com o meu conceito de MSV. Endereçar o problema da falta de tempo (“time poverty” ) através de conexões.

E dá o exemplo da frase:

Stress is leading to unprecedented health problems. “Stop the world I want to get off” is a feeling we all have sometimes.

Pare o mundo! Eu quero saltar!

Todos nós sentimos isso, mas ligamos o automático e continuamos vivendo. Este movimento Slow tem conceitos interessantes, e alega que esta rotina frenética que levamos nos deixa muito soltos no mundo, e perdemos nossas conexões com pessoas, comida, lugares, e com a vida. A idéia é retomar estas conexões, e desacelerar. Como viver “Slow” , é o que o movimento propõe a ensinar.

Fiquei feliz em ver que já existem movimentos organizados com objetivos parecidos com o meu, porém acho este movimento um tanto radical em algumas áreas. Ele nasceu do movimento Slow Food, que foi uma reação à abertura de um McDonald na Itália. Sem querer tirar o mérito do movimento, ele é bem controverso, pois prega a utilização de alimentos orgânicos, e alimentos produzidos localmente, o que vai de encontro ao conceito de globalização. Não sou contra nada disso, acredito que orgânicos são melhores para nós e o meio-ambiente, porém esta história de alimentos produzidos localmente eu já não sei se concordo muito, pois me parece uma reação de países desenvolvidos à entrada de produtos agrícolas vindo de países em desenvolvimento. Aí você também pode alegar que não necessariamente isto é bom para países em desenvolvimento, porque o “agribusiness” é prejudicial ao meio-ambiente, e que no longo prazo vamos esgotar nossas terras e ter problemas ambientais sérios. Também concordo com isso. E não tenho uma solução. Por isso acho o tema controverso, e prefiro deixá-lo de fora da questão que considero mais importante, que é a simplificação da vida.

Particularmente interessante é o conceito de conexão com pessoas. Eu sinto muito isso. Não temos tempo nem para nossos melhores amigos. É a celebre desculpa da correria do cotidiano. Não temos tempo de socializar. Ou então temos tantos “amigos” superficiais, que no final não temos nenhuma conexão verdadeira. Este fenômeno acontece principalmente em cidades grandes, onde cada um tem a sua rotina, e espaços comuns para socialização são raros.

E aí entra o conceito Slow Cities, também um tanto radical, mas conceitualmente interessante. São cidades que suportam o estilo de vida Slow. Cidades com menos tráfego, menos barulho, e menos gente. Radical, porque prega que cidades com mais de 50.000 habitantes não podem ser Slow. Mas a idéia deveria ser propagada para cidades de qualquer tamanho, e já existem movimentos neste sentido. SlowLondon se propõe a ser uma comunidade para discutir idéias de como fazer as pessoas ficarem mais próximas. Princípios incluem áreas de lazer, eventos, e, obviamente, pisar no freio. Eu gostei muito do site, e recomendo a leitura da página que explica o problema (e todas as outras também).

Bem, ainda tenho muitas outras idéias sobre o assunto, que vou aos poucos publicar em diversos posts, porque senão este aqui não vai acabar nunca!

Divirtam-se!

Posted in Poético/Filosófico (divagando) | 3 Comments »

MSV – Movimento de Simplificação da Vida

Posted by simonecarrocino on December 24, 2006

O mal dos nossos tempos é a aceleração e a correria em que vivemos. Pressão para produzir mais, concilar família, carreira, boa forma e diversão nos obrigam a uma rotina frenética, a qual nosso organismo não está preparado para suportar.

As consequências mais cedo ou mais tarde começam a surgir: excesso de peso, falta de energia e ânimo, insônia, gastrite, depressão, problemas de coluna, problemas cardíacos, síndrome do pânico, etc, etc, etc…

Muitos de nós achamos que somos super-homens, e que podemos tudo, até que um dia estes sintomas batem à nossa porta. Os primeiros sinais são quase sempre ignorados por nós, ou simplesmente remediados. Pagamos caras sessões de shiatsu para consertar a coluna, nos enchemos de cafezinho para dar ânimo de manhã, e depois tomamos calmantes para conseguir dormir à noite. Uma taça de vinho diária para relaxar após um dia estressante e eventuais excessos que vão se tornando cada vez mais frequentes…

Sabemos que temos que pisar no freio, mas poucos de nós conseguem. A pressão externa sempre ganha. Eu por exemplo, abriria mão de metade do meu salário se pudesse trabalhar 20 horas por semana. Mas será que alguma empresa vai aceitar estas condições? A própria legislação trabalhista brasileira torna este tipo de acordo mais complicado… Além disto, este tipo de atitude é visto como falta de motivação. Só estamos comprometidos com o trabalho se abdicamos da nossa vida pessoal em nome dele.

Trabalhar para viver, ou viver para trabalhar?

É esta situação que estou tentando reverter na minha vida. No momento estou trabalhando como consultora independente, em apenas 1 projeto (em contraste com 5 projetos no meu trabalho anterior), carga horária mais próxima das 8 horas diárias. Estou fazendo minha yoga, que está me ajudando e muito a manter um equilíbrio na minha vida.

Ontem fui tomar chopp com alguns amigos, e um deles estava falando que ele é adepto do MSV – Movimento de Simplificação da Vida. A idéia é justamente esta. Simplificar para viver melhor e tentar escapar do maior mal do nosso século. Transformar o sabático não só em ano, mas em estilo de vida.

Estamos tentando. Será que conseguiremos?

Posted in Poético/Filosófico (divagando) | 4 Comments »